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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Influências da Música no plano emocional, social e cognitivo

 

A música está presente em todas as culturas e em todas as épocas e consegue, por isso, ultrapassar todas as barreiras e tornar-se numa linguagem universal. No entanto, a forma como a música acontece nos diferentes grupos sociais ganha diferentes contornos. A música que ouvimos quando colocamos o nosso CD preferido não é vivida da mesma forma que a música que se ouve nos templos budistas, por exemplo. Apesar das diferentes funções e da intensidade com que é interpretada, a música acompanha o ser humano em quase todas as fases da sua vida e, segundo o pedagogo Snyders (1992), as sociedades actuais vivem a música com uma intensidade que nunca se tinha visto.
Essa intensidade é vivida de tal modo e é estabelecida uma relação tão intensa com a música que se constatou que esta desempenha um papel importante no desenvolvimento das crianças. É importante quer para o seu desenvolvimento cognitivo, como emocional e social.
Primeiramente, é necessário ressalvar que, aliado ao desenvolvimento da criança, estão as bases culturais onde se insere. O bebé, ainda no útero da mãe, reage a sinais sonoros. Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor. Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. O que estes autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experiências, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione "em rede": o indivíduo, ao ler um determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tacto); no final, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correcto (audição). Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns. Segundo Gaser, o efeito do treino musical no cérebro é semelhante ao da prática de um desporto nos músculos. Já Platão dizia que "a música é a ginástica da alma".
Até mesmo que não toca nenhum instrumento mas ouve com atenção e percebe como se toca um ou mais instrumentos consegue desenvolver-se e cria estímulos cerebrais bastante intensos. Além de todos estes estímulos provocados pela música, esta pode também ajudar-nos na absorção de informação, através do seu carácter relaxante.
Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem e a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam em aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos); aumentam as actividades dos neurónios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem.
Outra linha de estudos aponta a proximidade entre a música e o raciocínio lógico-matemático. Segundo Schaw, Irvine e Rauscher, pesquisadores da Universidade de Wisconsin, alunos que receberam aulas de música apresentavam resultados de 15% a 41% superiores em testes de proporções e fracções do que os de outras crianças. Noutra investigação, Schaw verificou que alunos do segundo ano (1º Ciclo do Ensino Básico) que tinham aulas de piano duas vezes por semana, apresentaram um desempenho superior em matemática relativamente aos alunos do quarto ano que não estudavam música.
Mas não é apenas no estrangeiro que estes estudos se realizam. Também em Portugal, um estudo realizado por Vasco Mano revelou que o ensino da música pode influenciar no desenvolvimento do raciocínio matemático. Este estudo, que serviu de tese de mestrado ao seu autor tem como titulo “Combinatória de Sons” e é um trabalho que estuda a música e procura estruturá-la de uma forma lógico-matemática. A tese foi criada no âmbito do Departamento de Matemática Pura e Matemática Aplicada, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Um dos problemas analisados na obra é a enumeração e classificação dos possíveis tipos de acorde no contexto de uma escala bem temperada. Em análise estão parâmetros como o número de notas de escala, o número de notas constitutivas de acorde, o número de intervalos de meio-tom que ocorrem no acorde e o intervalo mínimo admitido no acorde, por exemplo.
“As correntes de Música contemporânea opõem-se às práticas passadas porque questionam as regras pelas quais o compositor se rege, por mais sólidas e aceites que possam ser. Esse cepticismo abre-se às ciências, procurando fundamentação dos processos musicais na Matemática, renegando os procedimentos convencionais da composição musical em favor de algoritmos matemáticos e de um computador que os execute”, escreve Vasco Mano.
Assim, Pode concluir-se que a música possibilita o desenvolvimento cognitivo, nas áreas da memória, do raciocínio lógico, do espaço e do raciocínio abstracto.
No campo afectivo é onde as influências da música estão mais marcadas. Sandra Trehub realizou uma pesquisa na Universidade de Toronto, na qual comprovou que os bebés tendem a permanecer mais calmos quando são expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas. As nossas avós já sabiam que colocar os bebés do lado esquerdo os acalmava, isto porque ouviam as batidas do coração, o que os remetia para aquilo que ouviam enquanto estavam no útero materno.
Alguns países, como o Japão e os países nórdicos, dão aos professores e educadores formação na área da música para que estes aprendam um instrumento e algumas canções, com o fim de atingir bons resultados na educação infantil. Zatorre, da Universidade de McGill (Canadá) e Blood, do Massachusetts General Hospital (EUA), desenvolveram uma pesquisa em 2001, na qual analisaram os efeitos no cérebro de pessoas que ouviam músicas, as quais segundo as mesmas lhes causavam profunda emoção. Verificou-se que, ao ouvir estas músicas, as pessoas accionaram exactamente as mesmas partes do cérebro que têm relação com estados de euforia. Segundo esses autores, isso confere à música uma grande relevância biológica, relacionando-a aos circuitos cerebrais ligados ao prazer.
Há também inúmeras experiências na área de saúde, trabalhos em hospitais que utilizam a música como elemento fundamental para o controlo da ansiedade dos pacientes. A origem deste trabalho remonta à Segunda Guerra Mundial, quando alguns músicos foram contratados para auxiliar na recuperação de veteranos de guerra por hospitais norte-americanos. Pode afirmar-se que esse foi um grande impulso para a área de musicoterapia, hoje com reconhecimento académico consolidado. É cada vez mais comum a presença da música nestes locais, seja para diminuir a sensação de dor em pacientes depois de uma cirurgia, como para estimular contracções a mulheres em trabalho de parto ou na estimulação de pacientes com dano cerebral.
No campo social, a música também nos influência. É por meio do repertório musical que nos iniciamos como membros de um determinado grupo social. Por exemplo: os cânticos ouvidos por um bebé em Portugal não são os mesmos ouvidos por um bebé nascido na Islândia; da mesma forma, as brincadeiras, as adivinhas, as canções que dizem respeito à nossa realidade inserem-nos na nossa cultura.
Além disso, a música também é importante do ponto de vista da maturação individual, isto é, para a aprendizagem das regras sociais por parte da criança. Quando uma criança brinca às rodinhas, por exemplo, ela tem a oportunidade de vivenciar, de forma lúdica, situações de perda, de escolha, de decepção, de dúvida, de afirmação. Fanny Abramovich (Pedagoga Brasileira), num artigo, afirma:
 
«Ò ciranda – cirandinha, vamos todos cirandar, uma volta, meia volta, volta e meia vamos dar, quem não se lembra de quando era pequenino, de ter dados as mãos para muitas outras crianças, ter formado uma imensa roda e ter brincado, cantado e dançado por horas? Quem pode esquecer a hora do recreio na escola, do encontro do grupinho da rua ou do prédio, para cantarolar a 'Teresinha de Jesus', aquela que deu uma queda foi ao chão e que acudiram três cavalheiros, todos eles com chapéu na mão? E a discussão para saber quem seria o pai, o irmão e o terceiro, aquele para quem a disputada e amada Teresinha daria, afinal, a sua mão? E aquela emoção, aquele arrepio que dava a todos, quando no centro da roda, a menina cantava: 'sozinha eu não fico, nem hei-de ficar, porque quero o... (Sérgio? Paulo? Fernando? Alfredo?) para ser o meu par'. E aí, apontando o eleito, ele vinha ao meio para dançar junto com aquela que o havia escolhido... Quanta declaração de amor, quanto ciuminho, quanta inveja, passava na cabeça de todos.»
 
         Estas cantigas e tantas outras, que nos foram transmitidas oralmente, através de inúmeras gerações, são formas inteligentes que a sabedoria humana inventou para nos prepararmos para a vida adulta. As cantigas tratam de temas como o amor, disputa, trabalho e tristezas, tudo aquilo que a criança enfrentará no futuro. São experiências únicas que nem o brinquedo electrónico mais sofisticado pode proporcionar.
Mais tarde, na adolescência, a música volta a ter um papel de destaque. Sem dúvida que a música é uma das formas de comunicação mais presente na vida dos jovens. A música estabelece um diálogo e é uma porta aberta para a consciência de cada um.

 

 



Sentimo-nos: Fascinadas! :D
Publicado por Músicaólicas :D às 14:47
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